E Maria chegou… a Lilith

“Foi o caso mais famoso das supostas bruxas de Cangas, porque havia ainda Catalinas, Elviras e outras Marias várias. Mas ela era a mais rica do povo e o povo mais se apavorou por ela, e passou recado à literatura e à música, onde ficou emblema do sofrimento das mulheres, na história da Humanidade a sua metade imcompreensivelmente abusada pola outra. Celso Emílio Ferreiro cantou o tom elegíaco do vento que gemia o desamparo desta Maria, o terror de água fria sob os telhados de Cangas que ecoava o seu radical isolamento, Maria Solinha, Luar na Lubre revigorou mair recentemente estes versos que já foram cantados, mas muito mais fresco e revigorando até a mesma raiz chega este livro de Eli Ríos, mulher que num movimento antropofágico devora a antiga Maria, a historia geral da Mulher e até algum homem, sem poupar Celso Emílio. Para exibir com orgulho as provas deixa do saber ortográfico deturpado do povo a forma Soliña, aplica o pixel estrábico, empurra para a imagem sórdida, desfoca a poética clássica de googles e plays e pauses e retoques de photoshop. E nasce outra cousa, grávida desta nova Maria Acompanhada. Interrogar-se sobre quem é, donde vem, aonde vai esta Maria, é o discurso arrebatado do livro

Estas palavras do Carlos Quiroga encontram-se nas primeiras páginas de Maria, no “antes de começar”. Assim é fácil imaginar que a apresentaçom na Lilith de Compos ia ser mesmo muito afectiva porque gosto imenso das leituras e interpretaçons que faz o Carlos mas, como está a acontecer ultimamente, Maria é uma caixinha de surpresas porque o que nem podia imaginar é o que tinha guardado a Susana Sánchez Arins:

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Mas a leitura de Maria tem de ser feita por cada pessoa assim que depois de contar as nossas impressons terminamos falando, como nom podia ser doutra forma, do feminismo, das crítica literarias da Sega, reflexionando sobre o conceito de crítica,… Tantos e tantos temas que ao finalizar a apresentaçom decidimos continuar ainda a conversa um bocadinho mais com a gente que che achegou até a Lilith porque o tempo da poesia tem aquela coisa do eterno.

Obrigada à Lilith nem só pelo lugar mas também pelo cuidado que lhe dam ao seu trabalho, ao Carlos e à Susana por acompanhar esta travessia e às pessoas que se achegaram até a livraria para partilhar esta apresentaçom de Maria.

(foto Lila de Lilith)