E chegou Maria…

 Cada livro é umha aventura e, para quem escreve, um abismo de emoçons e sinergias mesmo complexas. Assim, neste cúmulo de sensaçons chega Maria: um poemário no que partilho o espaço e o tempo com Mariana e Carlos. Obrigada é pouco para dizer-lhes a esta grande artista e ao escritor que, sempre, consegue rabunhar as tonas do pensamento ainda por nascer.

No princípio, os versos abrolham como unidades ilhadas no ecrám do computador até que, pouco a pouco, se artelham numha rede de laços que dará lugar a um poemario completo. Este processo, demorado no tempo no caso de Maria, é acompanhado por esse grupo Lótus (Carlos, Ivone e Miguel) que, sempre, estam aí ainda que seja com umhas brancas mais! É, precisamente este Carlos quem define com exactitude o prólogo do Carlos Quiroga: “o texto do Carlos, grande na escrita e no coraçom (comme d’habitude) “.

E a santo de que (perguntarás) tanto insitir na “metaliteratura”? Pois porque Maria é um poemario que nom tem raçom de ser na soidade da poeta. Se procuras umha poesia intimista este nom é o livro apropriado.

Maria bebe a tradiçom e fagocita todo aquilo que nos foi transmitido desde o ponto de vista heteropatriarcal para recuperar a voz da protagonista: Maria Solinha. Ou, pode que, ao melhor, quiçá, o falar de todas as mulheres que, sem chamar-se Maria, algum dia quigérom dizer algo e foram silenciadas.

As grandes histórias tem múltiplas faces conformadas em milhares de pequenas histórias. Maria Solinha nom só é umha lenda senom umha realidade, mais do que actual, na que os fragmentos (linguísticos, sexuais, fisiológicos, etc) geram um Tudo. Assim tentou ser, também, a estrutura do poemario: um Tudo que, espero, faça reflexionar sobre quanto de importante é fazer visíbel a voz de todas as marias e que se constrói graças ao trabalho de Sacaúntos, do editor Figurante, da fotografia, dos spoilers do texto introdutorio, do pessoal que há por trás, dos versos, etc, etc, etc.

E, se, ademais, gostas dele e queres deixar aquí a tua opiniom, pois ainda muito melhor porque a História tem de ser escrita por cada um/umha de nós. E a poesia também é umha parte, nom?

                                                            ela pai será ela mai